Uso da Plataforma

O mapa é uma ferramenta fundamental para esta ação cartográfica. Os lugares mapeados estão alocados em oito filtros: [1] Aparelhos, [2] Atentados, [3] Conflitos por terra, [4] Escrachos, [5] Espaços de Homenagem, [6] Manifestações, [7] Mortos e Desaparecidos e [8] Prisão e Tortura. Devido às particularidades históricas que atravessam cada lugar, importante notar que vários destes estão por vezes relacionados a mais de um filtro. Portanto, durante a pesquisa a partir dos filtros no mapa completo pode acontecer do ícone destacado para um lugar não corresponder ao filtro utilizado para a busca.

Clicando no ícone de algum lugar, será exibida uma caixa de texto branca na qual consta uma breve informação. Clicando no nome do lugar, abrirá uma segunda caixa (laranja) com informações mais detalhadas, tendo inclusive em alguns casos arquivos disponíveis para download.

Ainda no mapa completo, a pesquisa também pode ser realizada através do mecanismo de busca que consta no canto esquerdo inferior da tela.

Os sete filtros e seus respectivos ícones são:

aparelhosAparelhos

Neste filtro adotamos adotamos a definição do livro A escrita da repressão e da subversão, 1964-1985, publicação do Arquivo Nacional. Segundo a obra, um aparelho seria o “local destinado a reuniões de um grupo político clandestino, guarda de material, esconderijo ou moradia de seus membros. Base de operações temporárias, poderia estar situado dentro do perímetro urbano ou em área rural, possuindo uma série de requisitos para sua utilização.”. A intenção de mapear estes lugares é trazer à tona uma memória de resistência pouco conhecida ligada às organizações.
Fonte: ISHAQ, Vivien, FRANCO, Pablo E., SOUZA, Tereza E. A escrita da repressão e da subversão, 1964-1985. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2012.

atentadosAtentados

Neste filtro aparecem os lugares onde foram realizadas ações por indivíduos ou grupos associados direta ou indiretamente ao aparato militar com o objetivo agredir os adversários da ditadura ou criar um clima de instabilidade política que permitisse a radicalização das formas da repressão. A especificidade deste tipo de agressão está no uso de artefatos explosivos em locais públicos, cujas explosões geravam forte sentimento de insegurança. Muitos atentados foram perpetrados ao longo da ditadura, os mais conhecidos ocorreram contra a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e na festa do Dia do Trabalhador de 1981 no centro de convenções do Riocentro.

marker-k   Conflitos por terra

Este filtro sinaliza os locais onde aconteceram os conflitos mais emblemáticos no meio rural durante a ditadura. Embora a repressão sofrida pelos camponeses não seja uma especificidade do regime civil-militar, durante esse período houve um empenho maior do Estado, com apoio de empresários e grandes proprietários para enfraquecer e controlar as organizações ligadas às perspectivas comunista, trabalhista ou próximas a elas, como era o caso de boa parte das associações e sindicatos de trabalhadores rurais (STRs) e de alguns pontos onde havia Ligas Camponesas. A grande maioria dos sindicatos que não foram fechados sofreu intervenção e as Ligas foram completamente desarticuladas. Não apenas as lideranças foram reprimidas, mas também o conjunto dos lavradores que tinham proximidade com elas. A repressão no campo, contudo, não foi apenas praticada por agentes públicos. Agentes privados também praticaram violências, muitas delas facilitadas pela omissão do Estado. O final da década de 1960 e os anos 1970 tiveram os despejos em massa de posseiros como o traço mais marcante nas áreas rurais.

escracho.fwEscrachos

Prática surgida na Argentina com a organização H.I.J.O.S., os escrachos, segundo a Comissão de Escrachos de Madrid, podem ser entendidos como uma “ferramenta que consiste na denúncia pública dos responsáveis por certos conflitos. Pode realizar-se de múltiplas maneiras, desde a sensibilização dos vizinhos através de conversas, cartazes… até à intromissão na sua vida quotidiana, de forma a consciencializá-los para as consequências sociais de que são responsáveis.”*. No Brasil, ficaram conhecidos como ‘Escrachos Populares’. Visam, sobretudo, fustigar o debate sobre memória e verdade, para que a sociedade brasileira consiga finalmente esclarecer fatos que ocorreram no passado, mas que influenciam decisivamente no presente e no futuro do país, para que possamos enfim superar os malditos legados da última ditadura ocorrida no Brasil.

* Entrevista disponível em <http://passapalavra.info/2013/05/77286>

 espaço-homenagemEspaços de Homenagem

Este filtro abrange os espaços públicos que fazem referência, no presente, a agentes ou acontecimentos do período da ditadura. Serão mapeados logradouros, prédios, avenidas, ruas, praças, monumentos identificados a pessoas ou episódios ligados aos anos do regime militar. No caso das homenagens aos colaboradores e episódios da ditadura, o objetivo do mapeamento é suscitar mudanças nessa política de memória, inaceitável em um regime democrático. Vale notar que serão registrados também os casos em que essas mudanças já tenham ocorrido. Já com relação às homenagens às pessoas e episódios ligados à oposição ao regime, o intuito é dar visibilidade a tais marcações e assim promover uma memória de vidas destroçadas pela violência de Estado.

manifestaçõesManifestações

Neste filtro vão constar lugares públicos onde aconteceram distintas manifestações de contestação à ditadura: atos contra o próprio regime, em protesto às prisões e mortes ocasionadas pelas forças do Estado, bem como os comícios, atos religiosos ou passeatas. Estas manifestações foram, em sua maioria, duramente reprimidas. Alguns destes lugares seguem como palco de manifestações e da força estatal da repressão militarizada.

mortos-desaparecidosMortos e Desaparecidos

A categoria “mortos e desaparecidos” já é bem conhecida no vocabulário do campo Memória, Verdade e Justiça. Neste filtro vão constar os lugares, tanto públicos quanto privados, abertos e fechados, relacionados às mortes e desaparecimentos de opositores à ditadura provocados pelo Estado. Para tanto, serão utilizados como fontes o livro-relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e o dossiê produzido pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos.

prisão-torturaPrisão e Tortura

Este filtro localiza espaços, tanto oficiais (delegacias, penitenciárias, batalhões de polícia e das forças armadas, hospitais, manicômios, aeroportos e prédios públicos) quanto clandestinos (casas e apartamentos cedidos por particulares ao Estado), onde ocorreram práticas de tortura e opositores da ditadura foram mantidos presos. A tortura, prática sistemática na época da ditadura, ainda persiste em alguns desses espaços nos dias de hoje.