Vila Militar

300px-Estação_Vila_Militar_-_CasteloDeodoro
Bairro da Zona Oeste da cidade, planejado e construído no começo do século XX para abrigar uma série de construções militares, como museus, escolas, batalhões e presídios. Durante a ditadura, inúmeros opositores do regime foram mantidos presos, sendo torturados e mortos no local.

Filtro: Mortos e Desaparecidos

Segue uma listagem das pessoas mortas ou desaparecidas relacionadas a este lugar, conforme informações obtidas no livro-relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos.

Severino Viana Colou
O sargento, nascido em Pernambuco e ex-presidente da Associação de Cabos e Sargentos da PM do Estado da Guanabara, militante do COLINA, foi preso e morreu em uma cela da 1ª Companhia da Polícia do Exército, no Rio de Janeiro. De acordo com o IPM nº 1.478, realizado no quartel general da 1ª Divisão de Infantaria, na Vila Militar, ele estava preso e foi encontrado morto por volta das 11h35 do dia 24/05/1969, enforcado com a própria calça, amarrada em uma das barras da cela.

Cópia 51 de imgresFelix Escobar
Foi camponês, comerciário, pedreiro, servente de obras, instalador de persianas
e também tesoureiro do Sindicato dos Empregados no Comércio em Duque de Caxias e São João de Meriti. Nascido em Miracema (RJ), instalou-se em Pilar, em 1942, na Baixada Fluminense. Casou-se com Raymunda Cardoso Escobar, com quem teve seis filhos. Depois de ficar viúvo em 1965, casou-se com Irani e tiveram dois filhos. Participou da campanha em defesa do petróleo brasileiro nos anos 1950 e atuou na diretoria do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro. Iniciando a militância política no Partido Comunista na década de 50, ele trabalhou muito para criar o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Duque de Caxias (RJ), em 1962. Filho de um pequeno proprietário camponês, Felix viveu sempre humildemente. Dizem seus amigos que morava num casebre em péssimas condições. Mas atuava com vigor, em especial na organização dos camponeses nos distritos de Capivari, Xerém e São Lourenço, naquele município, chegando a mobilizar mais de mil camponeses para obter uma difícil vitória na disputa pela terra, conseguindo sustar uma ação de despejo determinada por um juiz local. Com o Golpe de Estado de 1964, permaneceu preso durante 12 dias. Libertado, passou a atuar na clandestinidade. Posteriormente, ligou-se ao MR-8.  Não há plena certeza a respeito do local e data de sua prisão, que teria ocorrido em setembro ou outubro de 1971. Uma das versões indica que ele teria sido preso em outubro, na casa de um companheiro, João Joaquim Santana, em Nova Iguaçu (RJ). Em outra versão, foi preso em Belfort Roxo. A última informação que se tem sobre o seu paradeiro é que foi visto pelo preso político César Queiroz Benjamim sendo conduzido por agentes do DOI-CODI na Polícia do Exército da Vila Militar.

Cópia 26 de imgresChael Charles Schreirer
Foi estudante do Colégio Pedro II e figura importante no movimento estudantil secundarista do Rio de Janeiro. Dirigente da VAR-Palmares, em 1968, integrava a Executiva da União Estadual dos Estudantes. Após a decretação do AI–5, passou a atuar na clandestinidade. Foi preso no dia 21/11/1969, em uma casa no bairro de Lins de Vasconcelos, Rio de Janeiro, onde residia com Maria Auxiliadora Lara Barcelos, a Dora, e Antônio Roberto Espinosa, também integrantes da VAR-Palmares. Os três foram levados para o Batalhão da Polícia do Exército e Chael morreu no dia seguinte, submetido a indescritíveis torturas, como chegou a ser noticiado pela revista Veja, driblando a rigorosa censura de imprensa vigente na época. O caso também foi publicado em veículos internacionais como o New York Times, Le Monde e The Times.

 

Lourenço Camelo de Mesquita
Cópia 44 de imgresNa cópia da cédula de identidade de Lourenço, anexada aos autos do processo formado na CEMDP, consta apenas Ceará como local de nascimento. Viveu 15 anos com Dalva Soares Pereira, com quem teve dois filhos.

O seu caso refere-se a mais um episódio de suicídio por enforcamento, o último de uma longa série de versões farsantes que os órgãos de segurança do regime militar divulgaram tentando encobrir as reais condições da morte de presos políticos. O jornalista Elio Gaspari cuidou de contar e informa que o pretenso suicídio de Lourenço foi o 41º suicídio alegado, o 20º enforcamento, o 11º sem vão livre. Na versão militar, ele foi encontrado morto, às 8h20 do dia 30/07/1977, na cela nº 1 do pavilhão de presídio da 1ª Companhia de Polícia do Exército. O deputado Nilmário Miranda, ao apresentar seu parecer, considerou “a descrição das circunstâncias do ‘suicídio’ grosseira e absolutamente inverossímil”. Concluiu que foram falsificadas as circunstâncias de sua morte e que esta se deu sob inteira responsabilidade do Estado.

 

Um comentário sobre “Vila Militar

  1. Bom dia! O meu pai, Bolivard Gomes Assumpção, o “Dr Bolivard”, era vereador no Município de Nova Iguaçu e em 1968 foi preso e levado ao Regimento Sampaio. Alguns dias depois, foi solto. Três anos depois, foi eleito prefeito de Nova Iguaçu. Gostaria de saber se existe alguma documentação a respeito desse fato (da prisão do meu pai). Onde eu posso pesquisar a respeito? Desde já, muito obrigado!

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