Penitenciária Talavera Bruce

talavera_bruce_penitenciariaEstrada Guandu do Sena, 1902, Gericinó

Local relacionado à prisão de inúmeros opositores da ditadura, a exemplo de Maria Luiza Araújo, companheira de José Dalmo Guimarães Lins, dirigente do PCB. Enquanto presa no local, Maria Luiza soube da morte de Dalmo em 1971 e foi escoltada por policiais para acompanhar o enterro do companheiro. Também passaram por lá Inês Etienne Romeu, Jessie Jane, bem como diversas outras militantes. O presídio ainda está em funcionamento até hoje e faz parte do Complexo Penitenciário de Gericinó.

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Filtro: Prisão e tortura

A Penitenciária Talavera Bruce é um presídio feminino voltado para o cumprimento de pena em regime fechado, localizado na Estrada do Guandu do Sena, no 1902, na região de Bangu na cidade do Rio de Janeiro, atualmente Bairro de Gericinó. Inaugurado em 1942, a penitenciária leva esse nome em homenagem ao Juiz Roberto Talavera Bruce.

A unidade ocupa uma área de, aproximadamente, 17.000m2, com 8.000m2 de área edificada. A concepção arquitetônica da unidade obedece ao modelo clássico, contando com portão principal em grades de ferro e extensos muros circundando todo o conjunto, medindo entre três e cinco metros de altura.

Contexto da Construção

A partir da Revolução de 1930, quando Getúlio Vargas chega à Presidência da República, várias modificações alteram a estrutura administrativa e política brasileira. Os estudos para a reforma do Código Penal, do Código Processual Penal e da Lei de Contravenções se intensificam, e a ideia de um programa de concentração carcerária se inicia com a reforma penal de 1940, culminando em um projeto de criação da Penitenciária Agroindustrial, da Penitenciária de Mulheres e do Sanatório Penal, elaborado por uma comissão presidida por Lemos de Brito.

Lemos de Brito enfatiza a necessidade de separar as mulheres dos homens e de colocá-las longe os presídios masculinos, para assim se evitar a influência perniciosa que elas poderiam causar. “É que a presença das mulheres exacerba o sentimento genésico dos sentenciados, aumentando-lhes o martírio da forçada abstinência”.

Com base nos argumentos acima, acreditava-se que a criação de presídios só para mulheres destinava-se mais a garantir a paz e a tranquilidade desejada nas prisões masculinas do que propriamente a dar mais dignidade às acomodações carcerárias, até então compartilhadas por homens e mulheres.

Segundo a tese de Lemos de Brito, ao ser criada a Penitenciária feminina, foi necessária a definição de normas pedagógicas que transformassem as “meretrizes, vagabundas e perniciosas” em mulheres dóceis, obedientes às regras da prisão, educadas, convertidas em caridosas beatas, voltadas às prendas domésticas, aos cuidados com os filhos, à sexualidade educada para a procriação e a satisfação do marido.

Construída especialmente para tal fim, nasce, em 9 de novembro de 1942, a primeira penitenciária feminina do antigo Distrito Federal, em Bangu, bem longe dos presídios para homens àquela época. A administração interna e pedagógica do presídio ficou a cargo das Irmãs do Bom Pastor. As religiosas ficaram responsáveis por cuidar “da moral e dos bons costumes, além de exercer um trabalho de domesticação das presas e vigilância constante da sua sexualidade”.

Depoimento da historiadora Jessie Jane que resistiu contra a ditadura militar brasileira. Um filme super-8 feito pela amiga Nelie, exibido durante o período dos anos de chumbo no exterior, mostra Jessie presa junto ao marido e a filha nascida no presídio Talavera Bruce.

 

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