Praça Sentinela

Local onde foi montada a cena para legalização das execuções de Almir Custódio de Lima, Ramires Maranhão do Valle, Ranúsia Alves Rodrigues e Vitorino Alves Moitinho, militantes do PCBR. Durante anos, agentes do DOPS e parte da imprensa sustentaram a versão de que o fusca em chamas e os corpos carbonizados dentro dele eram decorrência de uma guerra entre facções rivais do crime. Décadas depois, a farsa foi desmontada e descobriu-se que os próprios agentes do DOPS eram os responsáveis pela morte dos quatro e a explosão do carro.

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Filtros: Mortos e Desaparecidos

Segue uma listagem das pessoas mortas ou desaparecidas relacionadas a este lugar, conforme informações obtidas no livro-relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos.

Cópia 69 de imgresAlmir Custódio de Lima
O pernambucano tinha 23 anos quando foi morto. Fez o curso médio na Escola Técnica Federal de Recife e foi metalúrgico, tendo trabalhado na Aluferco, no Rio de Janeiro. Casou-se aos 21 anos com Nadja Maria de Oliveira, em 10/08/1971. Não foi possível reunir mais informações sobre sua biografia e sobre atividades políticas anteriores. O “Livro Negro do Terrorismo no Brasil”, de autoria atribuída ao Centro de Informações do Exército, registra que os quatro militantes do PCBR foram localizados a partir de uma operação em que Almir passou a ser seguido intensamente, após denúncia de um informante na primeira quinzena de outubro de 1973. Esse documento também o inclui entre os participantes da execução de Salatiel Teixeira Rolins, num bar do Leblon, dia 22/07/1973, onde teria pixado uma parede com a sigla PCBR e jogado sobre o cadáver panfletos assinados “Comando Mário Alves”.

 

Cópia 70 de imgresRamires Maranhão do Valle
Nasceu em Recife e, no final de 1961, passou no exame para cursar o Colégio Militar, embora não tenha conseguido vaga. Matriculou-se então no colégio São João, estudando até a 3ª série ginasial e destacando-se também em atletismo. Devido à composição social elitista dessa escola, enfrentou conflitos com colegas que se opunham ao governo estadual de Miguel Arraes. Depois de abril de 1964, preferiu transferir-se para o colégio Carneiro Leão, onde concluiu a 4ª série. Interessado em agricultura, foi cursar o colegial na Paraíba, na escola agrícola Vidal Negreiros, em Bananeiras. Permaneceu apenas um ano nesse estabelecimento e retornou a Recife, matriculando- se no colégio salesiano Sagrado Coração. Não chegou a concluir o curso secundário devido às perseguições policiais por sua atuação política no meio estudantil. Na primeira vez em que foi preso, aos 16 anos, estava participando de manifestação do Movimento Estudantil contra o acordo MEC-USAID, nas escadarias da Assembléia Legislativa de Pernambuco. Junto com ele foi preso Fernando Santa Cruz, que também seria assassinado pelos órgãos de segurança em 1974. Nessa ocasião, Ramires permaneceu oito dias no Juizado de Menores. No enterro do Padre Antônio Henrique Pereira Neto, assassinado em Recife em 21/08/1969, Ramires, rompendo a vigilância policial, promoveu um comício relâmpago em uma das pilastras da Ponte da Torre, por onde passava o cortejo. Em decorrência da perseguição policial que se seguiu, teve de passar à vida clandestina, vinculando-se ao PCBR. Atuou clandestinamente em Fortaleza (CE) e radicou-se no Rio de Janeiro em 1971. Em todo esse período, manteve contato com parentes através de cartas, telefonemas ou mesmo visitas, embora raras. O último encontro aconteceu em fevereiro de 1972. Documentos dos órgãos de segurança do regime militar atribuem a ele participação em várias ações armadas, inclusive em duas execuções: a do delegado Octavinho, mencionada há pouco e a do ex-preso político do PCBR Salatiel Teixeira Rolins, acusado por seus companheiros de ser responsável pela prisão de Mário Alves. Seu desaparecimento foi denunciado pela família à ONU, ao Conselho de Justiça, Segurança Pública e Direitos Humanos do governo do Estado do Rio de Janeiro e ao Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana. No Relatório do Ministério do Exército, de 1993, consta que foi morto junto com dois companheiros em tiroteio com as forças de segurança.

 

Cópia 9 de imgresRanúsia Alves Rodrigues
Pernambucana de Garanhuns e estudante de Enfermagem da Universidade Federal de Pernambuco. Já tinha sido presa uma vez, em Ibiúna (SP), em 1968, quando participava do 30º Congresso da UNE, sendo expulsa da universidade pelo Decreto 477 no ano seguinte. Vivendo na clandestinidade como militante do PCBR teve uma filha, Vanúsia. Atuava no Rio de Janeiro desde outubro de 1972. Documentos dos órgãos de segurança do regime militar sustentavam que ela teria participado, como cobertura médica, da execução do delegado Octávio Gonçalves Moreira Jr, do DOI-CODI/SP, em Copacabana, no dia 25/02/1973. Sua foto e seu nome tinham sido divulgados, erroneamente, como uma das pessoas mortas na chamada Chacina de Quintino, em 29/03/1972, no lugar de Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo.

 

Vitorino Alves Moitinho
Conhecido como Tiba, saiu de São Mateus (ES) para estudar e trabalhar no Rio de Janeiro, indo morar com seus irmãos no Catete. Enquanto estudava trabalhou também como bancário e operário. Respondeu a alguns processos por sua militância política, sendo por esse motivo obrigado a viver na clandestinidade. Já militando no PCBR, tinha sido preso antes, na ofensiva contra esse partido ocorrida no Nordeste em março de 1972, deixando como saldo as mortes de Luís Alberto Andrade de Sá e Benevides, Miriam Lopes Verbena e Ezequias Bezerra da Rocha. O Relatório do Ministério da Marinha, de 1993, registra que ele “teria morrido juntamente com outros subversivos, durante operação não definida”. Não há confirmação de sua morte no Relatório do Ministério do Exército, mas o da Aeronáutica afirma que Vitorino foi “morto em 27/10/1973, num carro, em Jacarepaguá, juntamente com outros três militantes do PCBR”. Documentos dos órgãos de segurança o incluem, ao lado de Ramires, como autor dos disparos que mataram Salatiel Teixeira Rolins.

 

 

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