Hospital Central do Exército[HCE]

article1Rua Francisco Manuel, 126, Benfica

Local relacionado à morte de inúmeros militantes desde o começo da ditadura, como Manuel Alves de Oliveira em 1964, candidato à presidência do Clube dos Subtenentes e Capitães do Exército e simpatizante de João Goulart. Vários presos e torturados foram levados para o HCE, onde acabaram morrendo.

Segue uma listagem das pessoas mortas ou desaparecidas relacionadas a este lugar, conforme informações obtidas no livro-relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos.

edubarretoleiteManuel Alves de Oliveira
2º sargento do Exército, ficou retido no Regimento Andrade Neves, em abril de 1964, onde respondia a Inquérito Policial Militar. Foi removido para o Hospital Central do Exército, e morreu no dia 8/5, em circunstâncias não esclarecidas. Sua mulher conta que ele foi sistematicamente torturado dentro do hospital, com espancamentos e choques elétricos, a ponta de ter passado a apresentar um comportamento diferente, ao qual os militares atribuíam debilidade. Mas se isso aconteceu, segundo ela, foi por decorrência das violências e maus tratos ao qual o seu marido Manuel esteve submetido no HCE. O laudo necroscópico elaborado no Instituto Médico Legal/RJ confirma que o corpo deu entrada no dia 08/05/1964, procedente do HCE.

Cópia 5 de imgres-1Raul Amaro Nin Ferreira
Formado em Engenharia Mecânica pela PUC/RJ em 1967, participou de vários encontros nacionais e internacionais sobre sua área profissional. Foi professor assistente do Curso de Engenharia Naval da UFRJ. Quando foi preso, trabalhava no Ministério da Indústria e Comércio e se preparava para viajar com bolsa de estudos para a Holanda. Raul Amaro voltava de carro de uma festa com alguns amigos, em 01/08/1971, quando foi interceptado por uma rádio-patrulha que fazia uma blitz na entrada do Leme. Tanto ele quanto o colega que estava junto não portavam carteira de trabalho, e seu documento de identidade era antigo. Os policias resolveram deixá-los passar. Algum tempo depois, foi novamente interceptado, em Laranjeiras, pela mesma rádio-patrulha, que fazia outra blitz. Ao revistar o carro, os policiais pegaram dois desenhos com a localização de residências de amigos, que interpretaram como sendo mapas. Raul Amaro foi detido e levado ao DOPS, onde permaneceu sendo interrogado durante toda a manhã de domingo. No dia seguinte, por volta de 13h, foi levado à casa dos pais, por uma rádio-patrulha, para procurar uma chave de seu próprio apartamento. Os pais resolveram seguir a rádio-patrulha para discutir o ridículo da prisão, mas na porta do apartamento de Raul foram impedidos de entrar. O mesmo aconteceu com o cunhado Raul Figueiredo Filho, também advogado. Às 20h, Raul Amaro foi levado algemado na rádiopatrulha sob o comando do policial Mário Borges, notório torturador do DOPS/RJ, que se negou a dizer para onde ele seria levado, afirmando ser assunto de competência do Exército. Na quinta-feira, 12/08, por volta de 14h30, o Hospital Central do Exército entrou em contato com os pais de Raul pelo telefone. A mãe, acompanhada do genro Raul Figueiredo Filho, chegou ao hospital por volta de 15h30, e soube que seu filho morrera antes das 14h. Entre 21h e 22h chegou o legista Rubens Pedro Macuco Janine para o exame do cadáver. O tio-avô de Raul, professor Manoel Ferreira, médico da Organização Mundial da Saúde, também legista, quis assistir à autópsia, mas foi impedido. Somente lhe foi permitido entrar cerca de duas horas depois, quando constatou que o jovem fora seviciado. Raul deu entrada no Hospital Central do Exército no dia 04/08, sem identificação e sem informação alguma sobre o ocorrido, apresentando equimoses nas coxas e pernas. O professor Manoel Ferreira informou que o escrivão leu na frente dele o laudo de necropsia com descrição das sevícias

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*