DOI-CODI/RJ

Rua Barão de Mesquita, 425, Tijuca

Órgão de inteligência e repressão subordinado ao Exército que funcionou no Quartel do 1º Batalhão da Polícia do Exército, responsável por capturar, manter em cárcere ilegal, torturar e assassinar uma série de opositores da ditadura.

Filtros: Prisão e Tortura

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O prédio onde, ao longo da ditadura brasileira, funcionou o Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) no Rio de Janeiro, está localizado na Rua Barão de Mesquita, 425, Tijuca, zona norte da cidade. No edifício nos fundos do 1 Batalhão de Polícia do Exército operava o Pelotão de Investigações Criminais (PIC), responsável por investigar e punir os crimes cometidos pelos próprios militares; em 1969, a ditadura instalou ali o DOI-RJ e o CODI-RJ, órgãos que atuaram em conjunto na captura, prisão, tortura e desaparecimento de uma série de opositores da ditadura.

O DOI-CODI-RJ foi uma estrutura montada sob inspiração da Doutrina de Segurança Nacional elaborada pela Escola Superior de Guerra (ESG) desde o começo dos anos 1960. A partir do golpe e, sobretudo com o Ato Institucional No5 no final de 1968, grandes empresários brasileiros e setores do capitalismo internacional que apoiavam o regime passaram a financiar a estruturação de organismos de repressão e tortura aos militantes de esquerda por todo o Brasil, através da Operação Bandeirantes (OBAN). Foi nesse contexto que surgiram os DOI-CODIs, inclusive no Rio de Janeiro.

Inicialmente, os agentes da repressão se utilizaram das próprias celas e dependências originalmente destinadas ao PIC, que se transferiu para outra unidade no mesmo pátio; mas em pelo menos duas ocasiões (1970 e 1971), o prédio passou por reformas para atender melhor ao tipo de funcionamento do novo órgão. Segundo o pedido de tombamento do edifício que o Ministério Público encaminhou ao IPHAN em agosto de 2013, “sem embargo, pelo menos entre 1969 e 1972, na construção e adaptação de instalações, os militares pensaram inclusive na diversa função que cada tipo de sala deveria emprestar à lógica da repressão”.

De acordo com a planta elaborada por Newton Duarte, que esteve duas vezes preso no DOI-CODI-RJ, as mudanças em relação ao prédio original do PIC foram basicamente a construção de novas celas e salas de interrogatórios, criadas especificamente para tipos diferentes de tortura: a “geladeira”, por exemplo, foi construída apenas na última obra, era uma lugar estreito e gelado onde o preso ficava praticamente imóvel por horas no frio. Havia também a “sala roxa”, onde um jogo de luzes causava cansaço e desespero no interrogado, e uma cela sonorizada onde o preso permanecia escutando um barulho ensurdecedor.

Inicialmente, as torturas eram cometidas com maior regularidade no primeiro andar, onde ficavam as celas individuais; depois que o preso era torturado e o seu contato com os demais encarcerados na mesma situação não representava tanto perigo para os agentes da repressão, ele era enviado para o “Maracanã”, a cela coletiva localizada nos segundo piso. No entanto, de acordo com Newton Duarte, foi provavelmente em um salão no segundo andar que, já em 1970, lideranças importantes da resistência armada como Mário Alves, Apolônio de Carvalho, Brandão Monteiro, Antônio Carlos de Carvalho, dentre outros, foram torturados.

doi-codiA Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro (CEV-Rio) realizou uma Audiência Pública sobre o caso Mário Alves (militante do PCBR preso nas dependências do edifício e desaparecido desde o ano de 1970), na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), em agosto de 2013, na qual inúmeros presos que sobreviveram ao DOI-CODI, como Alvaro Caldas, Paulo Sérgio Paranhos e o próprio Newton Duarte narraram as formas de tortura e intimidação que aconteciam enquanto os militantes estiveram sob custódia do Estado brasileiro naquele local.

Eram utilizados aparelhos como o pau-de-arara, a cadeira-do-dragão (para dar choques), e métodos como o empalamento (introdução de um cassetete cheio de pregos no ânus do torturado, a provável causa da morte de Mário Alves), afogamento, uso de animais para impor terror (cobras, crocodilos, ratos e baratas), dentre outros. O major do corpo de bombeiros Walter da Costa Jacarandá, único representante do órgão presente na cerimônia, disse que “houve excessos”, e sobre métodos como os choques elétricos ou espancamentos, confirmou: “é fato”.

Em setembro de 2013, uma comitiva da CEV-Rio visitou as dependências do DOI-CODI, apesar de forte resistência de setores do Exército. Naquela ocasião, movimentos da sociedade civil se mobilizaram em um ato que lembrou vários mortos pelo DOI-CODI do Rio de Janeiro, como o deputado cassado Rubens Paiva, Luiz Ghilardini, membro do Partido Comunista, Gerson Theodoro de Oliveira, integrante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), Jorge Leal Pereira Gonçalves da Ação Popular (AP), entre muitos outros.

Audiência Pública sobre o caso Mário Alves (morto nas dependências do DOI-Codi RJ)

 

 

 

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