Copacabana

Bairro localizado na Zona Sul do Rio de Janeiro

Segue uma listagem das pessoas mortas ou desaparecidas relacionadas a este lugar, conforme informações obtidas no livro-relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos.

 

Caiupy Alves de Castro
Vivia no Rio de Janeiro em situação perfeitamente legal e desapareceu no dia 21/11/1973, às 19 horas, após descer de um ônibus em Copacabana. Já havia sido preso uma vez, em maio de 1968, na véspera das comemorações do 1º de maio, quando participava de uma manifestação perto do campo do São Cristóvão. Ficou por 11 dias incomunicáveis nas dependências do DOPS/RJ. O Sindicato dos Bancários interferiu, mas as autoridades não reconheceram a prisão. Vinte dias depois, por meio de um habeas-corpus, Caiupy foi solto. Não houve processo, nada foi apurado. Era acusado de ser membro do PCB por ter tirado seu título de eleitor através desse partido, por volta de 1945. Nesse período pós-Estado Novo, o PCB era um partido perfeitamente legal, que montava bancas nas ruas para obter novos filiados. O nome de Caiupy consta na lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95.

Cópia 71 de imgresGustavo Buarque Schiller
Nasceu no Rio de Janeiro e iniciou sua participação como estudante secundarista. Integrou um pequeno agrupamento chamado Núcleo Marxista Leninista e depois se incorporou ao Colina, que em 1969 se transformaria em VAR-Palmares. De uma família rica, era sobrinho de Ana Capriglione, conhecida amante do corrupto governador paulista Adhemar de Barros, que a chamava em código de “Doutor Rui”. Gustavo forneceu a Juarez Guimarães de Brito, dirigente da VAR, a informação de que na residência de um irmão de Ana Capriglione existia um cofre guardando dinheiro originário da corrupção comandada por Adhemar, morto poucos meses antes. Em 18/07/1969 a organização ocupou a referida residência, levando embora o referido cofre, em cujo interior estavam depositados 2,6 milhões de dólares. Depois dessa operação, Gustavo foi deslocado para Porto Alegre, onde integrou o comando regional da organização. Documentos policiais o apontam como participante do assalto a uma agência do Banco do Brasil em Viamão, em conjunto com as organizações M3G e VPR, e também dos preparativos do sequestro do cônsul norte-americano em Porto Alegre. Foi preso em 30/03/1970, sendo torturado, tanto no DOPS gaúcho quanto no Rio de Janeiro, numa intensidade que resultou em danos psicológicos irreversíveis.  Schiller foi um dos 70 militantes banidos e enviados ao Chile em troca da liberdade do embaixador suiço, seqüestrado no Rio de Janeiro em 07/12/1970. Passou a sofrer de crises depressivas, causadas pela intensidade das torturas sofridas. Quando morreu, Gustavo era casado com Lúcia Souza da Rocha, que conheceu em Paris três anos antes. Tinham uma filha, Joana, que na época de sua morte tinha 1 ano e oito meses. Lúcia relata que Gustavo continuava se ‘auto-exilando’ durante a permanência em Paris, embora tivesse conseguido a nacionalidade francesa. Na Sorbonne, cursou Filosofia, Sociologia e Economia. Com a Anistia de 1979, tinha voltado ao Brasil, indo morar na ilha de Marajó, em Salvaterra, numa praia. Ali nasceu Joana, mas suas crises depressivas se intensificaram, tendo tentado o suicídio inúmeras vezes. Em 1985, foi para o Rio de Janeiro e começou a trabalhar no estaleiro Mauá, como pesquisador, onde ficou até 21 de setembro. Na madrugada do dia 22 de setembro, cometeu suicídio, jogando-se da janela do apartamento em que morava na avenida Nossa Senhora de Copacabana.


Um comentário sobre “Copacabana

  1. Sou cineasta e gostaria de conhecer a família de Gustavo Buarque Schiller. Tratar-se de uma obra cinematográfica, sem fins lucrativos que será levada a universidades, emissoras de TV de Cultura no Brasil e exterior sem veiculação remunerada. Se possível, entre em contato comigo eu deixe no meu facebook. Grato.

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