Conflito Silva Jardim

Silva Jardim (Fazenda Conceição)

Filtro: Conflitos por terra

Clique aqui para acessar PDF

De acordo com a Fetag/RJ, ao longo dos anos 1960, lavradores de diversas regiões passaram a ocupar as terras da referida fazenda, muitos deles com autorização do Sr. Otelin Vieira (vulgo Rádio), ex-administrador do imóvel, a quem pagavam a “terça” dos produtos colhidos de suas lavouras. Com a construção da BR 101, as terras se valorizaram e os posseiros passaram a ser apontados como invasores. Inicialmente dizia-se proprietário da referida fazenda o Sr. Elpídio Peçanha, que passou, em setembro de 1973, escritura pública de promessa de compra e venda ao Sr. Hélio Rubens Vaz de Mello. Estes novos proprietários começaram a pressionar os posseiros para que deixassem as terras e conseguiram, no ano seguinte, o deferimento do Juiz para o despejo de 18 posseiros.

Aconteceu, no entanto, que não apenas esse número de posseiros foi despejado, mas um total de 36 famílias, na presença de elementos armados que, juntamente com o Oficial de Justiça da Comarca, atearam fogo às moradias e outras benfeitorias. O despejo ocorreu em 17/12/1974. Os posseiros, apesar dos fatos supracitados, permaneceram na localidade, agasalhando-se em casas de parentes e amigos, aguardando a solução de suas aflições, não tendo como se locomover, sobrevivendo à míngua. Ao longo da década de 1970 este processo de expulsão se acelerou, chegando ao ponto de que em 1979 não havia mais trabalhadores rurais com posse nessa área.

Em 08/01/1976, o posseiro Ivo Alves foi sequestrado em um bar, na sede do município de Silva Jardim, por um grupo de oito homens armados com o objetivo de
recolher armas que se encontrassem nas mãos dos posseiros. Nesse mesmo dia, estes elementos invadiram as casas de José Alves, irmão de Ivo, e do posseiro Angelino Buscetta de Almeida. No ano seguinte, Ivo Alves foi encontrado afogado em um poço próximo a seu local de trabalho. Durante os anos 1970, Rodolfo Pimenta Velloso, advogado dos posseiros, foi agredido fisicamente, em função do embate que tinha com os proprietários na defesa dos posseiros.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*