Conflito Gleba América Fabril

Magé (Gleba América Fabril)

Filtro: Conflitos por terra

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No final do século XIX se instalou em Pau Grande uma fábrica de tecidos, a Companhia América Fabril (CAF). Progressivamente a fábrica se expandiu na região e passou a controlar uma vasta extensão de terras, conhecida como Gleba América Fabril. Ao mesmo tempo, várias famílias ocuparam terras nessa mesma área. Em linhas gerais, os conflitos por terra começaram a partir da resistência dessas famílias às ameaças de despejos empreendidas pela fábrica.

Neste processo, a CAF passou a ser identificada como “grileira”, em oposição aos “posseiros” (famílias que haviam ocupado as terras). Embora os posseiros tenham tido sucesso na disputa, já que conquistaram a desapropriação em 1973, houve repressão política, que os atingiu de variadas formas. Após o golpe de 1964, a perseguição aos trabalhadores rurais cresceu em Magé. O Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município foi fechado e só voltou a abrir por volta de 1967. Seu presidente teve que fugir para o sertão do Espírito Santo. Ao mesmo tempo, os despejos passaram a acontecer do dia para a noite e as intimidações contra os “posseiros” aumentaram. Os “grileiros” passaram a agir com mais intensidade, inclusive com apoio dos policiais, e chegaram a despejar trabalhadores rurais de suas casas, mesmo sem mandado judicial.

Diversos autores das ações de despejo passaram a penetrar nas áreas embargando as plantações e colheitas, ameaçando os lavradores, destruindo suas casas, os espancando. Alguns foram assassinados, como Manuel Francisco Flor.

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