Conflito Fazenda Campos Novos

Fazenda Campos Novos (a área da fazenda abrangia os municípios de Cabo Frio, São Pedro da Aldeia e Armação de Búzios)

Filtro: Conflitos por terra

Clique aqui para acessar PDF
A Fazenda originou-se de uma sesmaria doada aos jesuítas no século XVII. Passou por vários donos até que, em 1961, foi comprada por imigrantes libaneses (Jamil Cury Mizziara e França Cesário Cury Mizziara), que passaram a pressionar os posseiros a saírem das terras, por meio de violências. Muitos deles saíram porque não aguentaram a pressão, outros foram despejados por ações judiciais e outros, ainda, pela ação de jagunços.

Os posseiros contavam com o apoio da Fetag/RJ e dos Sindicatos de Trabalhadores Rurais (STRs) de São Pedro da Aldeia e de Cabro Frio, que haviam sofrido intervenção logo após o golpe e retomados pelos trabalhadores em 1974 e 1978, respectivamente. Eles davam assessoria jurídica aos posseiros, representando-os nos processos judiciais que sofriam ou que impetravam contra o proprietário. Parte da fazenda foi desapropriada pelo Incra em 1983, após um longo processo de reivindicação dos posseiros. Em 1993 a sede da Fazenda foi desapropriada pela Prefeitura Municipal, que lá instalou a sua Secretaria de Agricultura no local.

Outra forma de pressão para sair das terras era a proibição de acesso a espaços tidos como importantes para os posseiros, como a igreja e o cemitério. Os posseiros contam que quando o fazendeiro ia à missa, os moradores da fazenda só poderiam assistir à celebração a uma certa distância, como que para marcar a desigualdade de poder. Quanto ao cemitério, foi proibido o enterro de mortos das famílias dos lavradores, como vinha acontecendo até então.

A forma de violência mais frequente era a soltura de gado (centenas de cabeças) nas roças dos posseiros, além de despejos, espancamentos, ameaças e derrubada e queima de casas. Em 1973, o posseiro Waldir dos Santos Pereira teve um revólver esfregado em sua face em forma de ameaça para sair da terra. No mesmo ano, ocorreu o assassinato de Manoel Mangueira, após ter sido ameaçado de morte por três vezes pelo proprietário. Em 1975 vários posseiros tiveram suas lavouras destruídas pelo gado dos proprietários que entraram nos cultivares, após terem sido cortadas as cercas pelos empregados e jagunços da propriedade. Em 1976, o casal de posseiros José Viana Melo e Alberacy tiveram sua casa e lavoura violentamente destruídas a trator e seus pertences de casa quebrados e jogados no mato.

Em 1977, após denúncia do proprietário de que os posseiros os estavam impedindo de entrar na fazenda, os policiais da Delegacia de Polícia de Cabo Frio foram até lá, armados de metralhadora, e desfecharam tiros contra os posseiros e suas casas. Na ocasião foi preso um trabalhador menor, Aluizio Muzzi. Em 1978 houve um atentado contra Benício Gomes de Oliveira, anteriormente referido. Em 1980, o proprietário e seu empregado, com a cobertura de um soldado da PM e de um guarda do IBDF conhecido como “Manoel Cabecinha”, todos empunhando armas de fogo, destruíram as cercas da posse de João de Souza. Ele só não foi assassinado pelos pistoleiros porque foi socorrido na hora pelos lavradores da vizinhança.

Em 1981, os jagunços do proprietário invadiram a posse de Evaristo da Silva, destruindo suas cercas, derrubando sua casa e roubando-lhe bens, além de tê-lo ferido. Em 1988, o presidente do STR de Cabo Frio, Sebastião Lan, após várias ameaças, foi assassinado.

Documentário sobre o assassinato de Sebastião Lan

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*