Conflito em Trinidade

Trindade (Condomínio Laranjeiras)

Filtro: Conflitos por terra

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A vila de Trindade é composta por um conjunto de praias aonde habitavam caiçaras e lavradores que viviam da agricultura para subsistência e pesca artesanal. Esta população teve seu cotidiano radicalmente transformado quando títulos de propriedade da Fazenda Laranjeiras, então pertencente ao ex-governador do estado da Guanabara, Carlos Lacerda, foram vendidos para a Companhia Parati Desenvolvimento Turístico Ltda., subsidiária do grupo Adela (Agência para el Desarollo Latino Americano)– Brascan (Brasilian Canadian Corp.). Essa holding de empresas brasileiras e internacionais chegou às terras da fazenda em 1973 e, a partir de então, começaram violentas ações de despejos contra os moradores.

Logo no ano seguinte, a multinacional enviou à região dezenas de jagunços armados, que queimaram casas e lavouras, além das ameaças e das intimidações. Cabe destacar que estes homens chegaram a invadir a casa do ex diretor da Volkswagen, Werner Baun. A invasão de casas de pessoas de grande representatividade política e econômica, juntamente com a ostentação de armas por parte dos jagunços, acentuou o clima de terror e diversos trindadeiros, acuados, chegaram a vender suas posses à Companhia, indo morar em favelas nas cidades próximas. No entanto, foi grande a resistência às práticas repressivas. Além de buscarem as autoridades locais, os trindadeiros articularam-se em mutirão, refazendo as casas destruídas. Houve o caso de uma agricultora que se colocou à frente de um dos tratores da empresa para defender a sua posse da destruição.

A luta pela terra também se fez no âmbito jurídico, quando advogados se posicionaram em defesa dos direitos dos posseiros. Sobral Pinto foi o advogado de destaque nesse sentido: ao ser comunicado sobre o conflito, de imediato aceitou defendê-lo, colocando Jarbas Penteado, advogado de seu escritório, para assumi-lo gratuitamente. Também houve o apoio de profissionais e estudantes que, junto com os caiçaras, formaram a Sociedade de Defesa do Litoral Brasileiro. Apesar disto, em 1979, ocorreu outro despejo e diversas famílias foram morar em casas de parentes e até mesmo em cavernas locais. Passaram-se dois anos de intimidação da Adela-Brascan ao povoado de Trindade, quando a empresa vendeu a área ao grupo paulista Cobrasinco. Dado o desgaste de imagem da Adela Brascan, por conta de manifestações públicas e denúncias à imprensa, em 1981 a Cobrasinco propôs um acordo aos trindadeiros. Contudo, a área destinada no acordo às moradias e às lavouras dos posseiros não foi suficiente e o conflito persistiu.

Nenhuma proteção foi dada aos posseiros que foram ameaçados por jagunços armados, que queimaram casas e lavouras, fizeram ameaças e intimidações.

Documentário “Trindadeiros 30 anos depois”

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