Conflito Cachoeira Grande

Magé

Filltro: Conflitos por terra

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Nas terras sob controle da Companhia de Tecidos América Fabril, em Magé, era comum que a empresa permitisse que seus funcionários fizessem casas e plantassem lavouras para sua alimentação. Quando a empresa faliu, deixou as terras praticamente abandonadas, sujeitas à entrada de posseiros e fixação definitiva de antigos funcionários. Em 1983, a área conhecida como Cachoeira Grande, passou a ser disputada pela Agro Pastoril Estrela Ltda, empresa que adquiriu parte do que pertencia à América Fabril depois da falência. Um dos projetos da nova empresa era tornar o local um conjunto habitacional. Com isso, as famílias que viviam em Cachoeira Grande foram comunicadas de que deveriam desocupar a área. Muitas famílias resistiram a tal ordem, pois não tinham para onde ir. Começou, então, um novo conflito por terra.

Os moradores de Cachoeira Grande começaram a se organizar para resistir ao despejo e buscar a desapropriação junto ao Incra e para isso contaram com o apoio do movimento sindical dos trabalhadores rurais. Para impedir que as terras de Cachoeira Grande pudessem ser desapropriadas pelo Incra, a Prefeitura Municipal de Magé, em uma ação que revela sua aproximação com o projeto da empresa, tornou a região objeto de disputa em área de uso urbano. Esta mudança dava margem para que todo o local em disputa fosse loteado para a construção de condomínios. Se, por um lado, tal medida dificultava a ação do Incra, por outro, viabilizava a intervenção do governo estadual. Dessa forma, os trabalhadores rurais de Cachoeira Grande, junto com o movimento sindical dos trabalhadores rurais, passaram a reivindicar a desapropriação ao governo estadual. Para tanto, contaram com o apoio de alguns políticos fluminenses.

Em 28 de dezembro de 1984 a gleba Cachoeira Grande foi considerada de utilidade pública pelo governo do estado. Mas o decreto de desapropriação foi feito somente em 16 de julho de 1986.

Despejos, destruição de casas e plantações, agressões físicas, assassinatos e ameaças marcaram os conflitos por terra em Cachoeira Grande.

Foram registrados pela consultoria prestada à Secretaria Estadual de Assuntos Fundiários (SEAF) pela empresa “Apoio” – Serviços Cartográficos Ltda vários casos de demolição de casas e uso de violência contra os moradores. Como consequência da luta pela permanência na terra, no dia 27 de dezembro de 1984, foi assassinado o lavrador Josino Simões Dias. Além dos relatórios da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Rio de Janeiro (Fetag/RJ), do Sindicatos dos trabalhadores Rurais de Magé e da Associação de Pequenos Produtores de Cachoeira Grande, também a SEAF se refere ao “emprego de meios próprios” da Agro-Pastoril e Industrial Estrela Ltda. para manter a “segurança”, além do apoio policial da 70ª Delegacia de Polícia de Piabetá. Mesmo com a mudança a situação política do país, em 1986, dois trabalhadores rurais, diretores da Associação dos Pequenos Produtores de Cachoeira Grande foram presos por um sargento e quatro policiais armados da PM.

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