Memorial do Cemitério de Ricardo de Albuquerque

112_3017-totem01Estrada Marechal Alencastro, 1743, Ricardo de Albuquerque

Memorial em homenagem aos mortos e desaparecidos políticos que foram enterrados como indigentes entre 1971 e janeiro de 1974 no Cemitério de Ricardo de Albuquerque, localizado na zona norte carioca.

 

FIltros: Espaços de Homenagem & Mortos e desaparecidos

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Na manhã do dia 11 de dezembro de 2011 foi inaugurado um memorial aos mortos e desaparecidos políticos no Cemitério de Ricardo de Albuquerque, localizado na Estrada Marechal Alencastro, 1743, no bairro Ricardo de Albuquerque, zona norte carioca.

O memorial, idealizado pelo Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro [GTNM/RJ] e concebido por arquitetos da RioUrbe, é composto por 14 totens espelhados que levam os nomes dos 14 militantes políticos assassinados e enterrados em uma vala clandestina neste cemitério, bem como um grande túmulo em granito, que abriga suas ossadas em caixas. Ademais, na entrada do cemitério consta um marco indicativo da existência e localização do memorial no qual se lê o seguinte texto:

“Neste cemitério, o Grupo Tortura Nunca Mais/RJ localizou o destino de mais de 2.000 brasileiros sepultados como indigentes entre os anos de 1970 e 1974. Dentre eles, quatorze militantes políticos assassinados por se oporem à ditadura civil-militar imposta ao povo brasileiro em 1964.”

O processo que resulta na construção deste memorial remonta a maio de 1991, quando o GTNM/RJ iniciou pesquisas no Instituto Médico Legal [IML], no Instituto de Criminalística Carlos Éboli e na Santa Casa de Misericórdia. Como resultado, encontraram documentos que apontavam que, do final dos anos 60 e durante toda década de 70, três cemitérios cariocas [Ricardo Albuquerque, entre 1971 e janeiro de 1974, Cacuia e Santa Cruz] receberam corpos que foram enterrados como indigentes. A pesquisa ainda apontava que pelo menos 14 daqueles eram de militantes políticos, tendo sido depositados em uma vala clandestina no cemitério de Ricardo de Albuquerque. A localização da vala foi descoberta através de informações obtidas com antigos coveiros do cemitério.

Reconhecimento de ossadas de desaparecidos políticos no IML de Campo Grande/Rio [outubro de 1991 - Drs Luiz Fondebrider e Mercedes Doretti da Equipe Argentina de Antropologia Forense]. Fonte: Jornal do GTNM/RJ, nº 76, junho de 2011

Reconhecimento de ossadas de desaparecidos políticos no IML de Campo Grande/Rio [outubro de 1991 – Drs Luiz Fondebrider e Mercedes Doretti da Equipe Argentina de Antropologia Forense]. Fonte: Jornal do GTNM/RJ, nº 76, junho de 2011

Em setembro de 1991 foi iniciado o trabalho de abertura da vala, a qual continha em torno de 2100 ossadas. Uma parte destas foi deslocada para o IML de Campo Grande e posteriormente transferidas para o Hospital Federal de Bonsucesso, local adequado para a catalogação dos ossos do crânio e arcadas dentárias. Sob a responsabilidade de 2 médicos legistas indicados pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro [CREMERJ] e de uma antropóloga da Universidade do Estado do Rio de Janeiro [UERJ], o trabalho de exumação foi executado sob a supervisão da Equipe Argentina de Antropologia Forense [EAAF] e prosseguiu até março de 1993. Segundo parecer da EAAF, “a tarefa de encontrar 14 ossadas entre cerca de 2.000 era sem dúvida muito complexa, estando todas misturadas e em péssimas condições”, portanto, praticamente impossível naquele momento a missão de identificação dos militantes. À época, as ossadas retiradas foram catalogadas, separadas e armazenadas no Hospital Federal de Bonsucesso.

No dia 02 de novembro de 2012 foi realizado o Ato Ecumênico e Inter-Religioso em Memória dos Mortos e Desaparecidos no Memorial do Cemitério de Ricardo de Albuquerque, evento promovido pela KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço, GTNM/RJ, ISER, bem como por outros grupos e entidades. Em 02 de novembro de 2014 ocorreu outro ato ecumênico no memorial.

Inauguração do Memorial do Cemitério de Ricardo de Albuquerque

https://www.youtube.com/watch?v=OcmNCoOwwRY

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