Atentados à bancas de jornal

banca

Rua Dagmar Fonseca, Madureira

Durante o processo de abertura política do Brasil, foi registrada uma série de atentados que pretendia frear a passagem do regime militar para a democracia, como, por exemplo, os atentados à sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Nesse contexto, buscava-se, ainda, evitar que se propagassem ideais contrários à permanência do regime e a favor da transição política, que se almejava lenta e gradual. Diante disso, os atentados foram intensificados, sendo apontados três ataques a bancas de jornal na cidade do Rio de Janeiro e um em Niterói.

Filtro: Atentados

Acesse o conteúdo completo em PDF

No dia 27 de julho de 1980, uma banca de jornal na Rua Dagmar Fonseca, em Madureira, foi incendiada. Na madrugada do dia 03 de agosto de 1980, duas outras bancas, uma no Centro da Cidade e outra em Laranjeiras, sofreram com a violência. Os atentados foram contra a venda de publicações da imprensa alternativa. As autoridades negligenciaram o ocorrido e levaram horas para chegar às bancas atacadas. Na Avenida Graça Aranha, Centro da cidade, e na Rua Gago Coutinho, em Laranjeiras, as bancas foram incendiadas com gasolina. A perícia, no entanto, não fez uma busca minuciosa para verificar o material utilizado no atentado. Ainda na tarde do dia 03 de agosto de 1980, outra banca de jornal sofreu atentado. Na esquina das ruas Visconde de Morais e Tiradentes, no bairro de Ingá, em Niterói, a iniciativa de motoristas impediu que a banca fosse destruída. Utilizando os extintores de incêndio de seus carros, eles evitaram que o fogo da lata de combustível lançada contra a banca se propagasse. Nesse caso, os policiais, que foram avisados pela imprensa, não foram até o local, pois alegaram não ter recebido uma denúncia oficial. O presidente do Sindicato dos Distribuidores e Vendedores de Jornal e Revistas do Rio, Elias da Jora, acreditava que a situação proporcionada pelos atentados a bancas de jornal na cidade do Rio de Janeiro ainda poderia ser contornada. Ele pretendia realizar uma reunião com mais de 2.600 associados para negociar uma indenização pelos prejuízos sofridos por cada banca atacada. Segundo Jora, tudo o que poderia ser feito pelos jornaleiros já estava em andamento, era preciso, então, confiar nas autoridades. Os atentados a banca de jornal foram, portanto, tentativas de evitar que a imprensa alternativa ganhasse espaço entre os leitores. Para isso, era preciso que a pressão sobre os jornaleiros que ofereciam essas publicações fosse eficiente. Alguns donos de bancas de jornal se recusaram a cessar a venda de periódicos considerados críticos ao governo, outros, no entanto, sentiam-se mais seguros ao parar com a distribuição.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*