Atentado à Gráfica Americana

Rua Leôncio de Albuquerque nº 34, Saúde

graficaO processo de reabertura política ocorrido no Brasil, após um longo período em que esteve sob regime militar, foi marcado pela atuação de grupos antidemocráticos que cometeram diversos atentados com a finalidade de impedir a instauração de uma reabertura política no país.

A Gráfica Americana, localizada na Rua Leôncio de Albuquerque nº 34, bairro da Saúde, foi um dos locais atingidos pelos atentados. A gráfica pertencia a Dimas Perrin, jornalista, ex-exilado e líder do movimento dos gráficos. Perrin foi autor do livro Depoimento de um torturado, publicado em 1979, onde narrou as torturas que sofreu no período em que esteve preso no Doi-Codi, no Rio de Janeiro.

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O atentado, que ocorreu na madrugada do dia 03 de abril de 1981, deixou uma vítima ferida e danificou parcialmente a porta da gráfica. Em depoimento à Delegacia de Polícia Política e Social, Perrin declarou que há tempos imprimia jornais considerados de esquerda, motivo que, segundo ele, levou o ataque à sua propriedade. Assim como a gráfica, bancas que vendiam jornais da imprensa alternativa também sofreram atentados. Após o ataque, foi pintada na porta da gráfica a sigla MR-8, alusão a um grupo revolucionário de esquerda.

Em depoimento ao Jornal do Brasil, Dimas Perrin disse considerar que a pintura da sigla teve por objetivo confundir as pessoas sobre o real responsável pelo atentado, já que ele não acreditava ser um ataque da esquerda. O atentado à gráfica Americana foi uma forma de evitar que a imprensa alternativa, considerada contra o governo, se propagasse. O proprietário já havia sofrido com o regime militar e, embora estivesse vendendo a propriedade e transferindo sua gráfica para Belo Horizonte, não se intimidou e reafirmou seu apoio à abertura política do país

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