Atentado à Câmara dos Vereadores

Palácio Pedro Ernesto, Cinelândia

camaraNo dia 27 de agosto de 1980, ocorreram três atentados à bomba na cidade do Rio de Janeiro. O primeiro, durante a madrugada, na sucursal do jornal paulista Tribuna Operária, na Lapa; o segundo, na sede da Organização dos Advogados do Brasil (OAB); e o terceiro, na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Na Câmara dos Vereadores, a bomba explodiu por volta das 14h40 no gabinete do vereador Antônio Carlos de Carvalho, filiado ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). O vereador não estava no gabinete no momento, mas seu tio e assessor, o jornalista José Ribamar Sampaio Filho, 60 anos, ficou gravemente ferido, e outras cinco pessoas levemente feridas.

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O vereador estava a caminho da Câmara no momento em que soube da explosão pelo rádio de seu carro. A bomba estava localizada debaixo da mesa, e quando seu chefe de gabinete abriu a gaveta, a bomba explodiu, deixando-o cego e provocando a amputação de seu braço esquerdo. Outras cinco pessoas ficaram feridas, entre elas Olga Mendes da Silva, Aimé Nunes Noronha, secretária do vereador, e a servente Paula Auxiliadora Braz, grávida, que servia café no gabinete na hora da explosão. Na sala ao lado, sob o impacto da explosão, um pedaço do teto se desprendeu e atingiu Eva Cruz da Silva na cabeça. As senhoras sofreram crise nervosa, escoriações e surdez momentânea. José Luis Alanézio, outra vítima, ficou internado sob observação devido a problemas cardíacos.

A perícia não pôde ser feita no mesmo dia, porque as instalações elétricas foram danificadas, e sem iluminação, o trabalho da pericia ficou impossibilitado. A bomba era do mesmo tipo que explodiu na OAB, um artefato sofisticado e de alta potência, programada para explodir quando a gaveta fosse aberta.De acordo com os peritos do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal em declaração à imprensa, não havia dúvida de que as três bombas foram feitas pelas mesmas pessoas. No entanto, o laudo da perícia era parcial, devido ao fato de que os fragmentos da bomba que explodira na Câmara não foram examinados, visto que quando a Polícia Federal foi recolher o material, só haviam pequenos pedaços nas lixeiras, impedindo o exame destes. Logo após o atentado, a equipe de segurança da Câmara dos Vereadores prendeu um menor de idade, identificado como Nilton Alvarenga de Freitas (16 anos), e José Pinto de Oliveira Filho, que gritava “Tem que jogar bomba mesmo”, após discutir com um grupo de estudantes que participava de um ato público na Cinelândia (cerca de 2 mil estudantes) contra o projeto que subordinava 13 profissões, entre elas a de psicólogo, à orientação médica. José os provocou e a polícia impediu que ele fosse linchado, segundo o Jornal do Brasil. Em carta ao Jornal do Brasil, a Vanguarda de Caça aos Comunistas (VCC), entidade de direita, assumiu os atentados contra Eduardo Seabra Fagundes (OAB) e o vereador Antônio Carlos de Carvalho (Câmara dos Vereadores). A carta foi postada no dia 27, dia das bombas. Uma outra carta foi enviada no dia 28 à Superintendência Nacional de Abastecimento (Sunab), extinta em 1998, junto com uma bomba. A carta foi aberta por dona Octaylsa, secretária do Superintendente Geral da instituição, senhor Glauco Carvalho. A bomba não explodiu, pois estava com o contato interrompido e umas das pilhas,  descarregada. A sigla VCC estava gravada a alfinete na bomba.

Os dois apreendidos no dia da explosão foram liberados, visto que não havia provas contra eles. Um casal foi preso com o decorrer das investigações, Raimundo Carneiro da Silva Araujo e Sônia Maria Faro. O delegado José Armando Costa do Departamento de Polícia Federal recebeu um telefonema anônimo que o conduziu a um novo suspeito, Ronald James Watters. Watters foi detido em 19 de outubro, mas sua identidade foi revelada ao público somente em meados de novembro. O casal preso anteriormente foi liberado, sendo que Sônia Maria Faro era companheira de Watters.

A Polícia encontrou na casa de Watters um diário, principal evidência da participação dele nos atentados, onde não havia detalhes sobre suas atividades no dia 27 de agosto; e buscava a máquina de escrever de Watters, pois acreditava-se que era dele a máquina utilizada para datilografar as cartas-bomba. A máquina não foi encontrada, mas a polícia localizou o comerciante que a vendeu a Watters, fez uma acareação, e encontrou o cheque datilografado utilizado para pagar a compra. Watters se declarava inocente, e disse aos seus companheiros de cela que sabia que seria acusado dos atentados, e, por isso, fez um diário, provavelmente pensando que serviria como álibi para interrogações futuras. O suspeito permaneceu preso até 04 de julho de 1981, quando o Superior Tribunal Militar decidiu relaxar a prisão preventiva. Em 11 de fevereiro de 1982, Watters foi absolvido por unanimidade porque não havia indícios suficientes que o incriminassem. Ele entrou com processo contra a União pedindo uma indenização pelo período que ficou detido, mas o pedido foi indeferido. Ronald James Watters tinha antecedentes em atividades terroristas, e participou de outro atentando à bomba no ano de 1962, cujo alvo era a Exposição Soviética, no Pavilhão de São Cristóvão. Ele e mais quatro pessoas, sendo dois militares (o Tenente-Coronel-Aviador José Chaves Lameirão e o Major do Exército Roberto de Godói Moreira ) e quatro civis (Nestor Ferreira de Sousa, Luís Carlos Fonseca Botelho, Paulo e Domingo Brissac de Freitas) foram acusados e absolvidos, pois, para o juiz do caso, não existia elementos suficientes para julgar os possíveis culpados e coparticipantes.

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