Aparelho da VPR

Cópia 8 de imgresRua Toropi, 59, Vila Kosmos

Residência do estudante paulista e militante da VPR Eremias Delizoicov, local onde também, em 1969, foi alvejado pela Polícia do Exército. A VPR nasce como um grupo praticamente paulista, resultante da fusão entre uma ala esquerda da POLOP, que rompeu com o partido após o 4º Congresso, de setembro de 1967, e setores remanescentes do projeto de criação do MNR, definitivamente falido após o fracasso da Guerrilha de Caparaó. O grupo que deixou a POLOP era constituído basicamente de estudantes e intelectuais. Orientavam-se pela estratégia guerrilheira proclamada pela reunião da OLAS, em Havana. A direção da POLOP era criticada por assumir uma postura reformista e pacifista, enquanto os dissidentes declaravam-se dispostos a passar imediatamente à preparação da luta armada.  O mesmo impulso foi acompanhado pelos ex-MNR, que se queixavam do teoricismo da POLOP, reclamando que sua aproximação com aquele partido só lhes tinha valido alguns cursos de marxismo e muito pouco de ação prática. Esses dois agrupamentos se unificaram e recrutaram para o mesmo projeto um grupo de militantes de Osasco. A organização já existe sem nome desde março de 1968, mas só em dezembro, num congresso realizado no litoral paulista – a “praianada” – seria batizada como VPR. No decorrer de 1968 a VPR já havia desfechado inúmeras operações guerrilheiras, como o assalto ao Hospital Geral do Exército, em junho, poucos dias após um atentado a bomba contra o Quartel general do II Exército, ambos em São Paulo. Essas operações denotavam uma tática de enfrentamento aberto, como se a VPR estivesse interessada em estabelecer um choque frontal com o aparelho militar do regime. No Rio a organização executaria ainda em 1970 mais dois seqüestros de diplomatas. Em junho, durante a Copa no México foi seqüestrado em cooperação com a ALN o embaixador alemão, Von Halleben, e obtida a libertação de 40 prisioneiros políticos, levados para a Argélia. Em dezembro foi a vez do embaixador suíço, Giovani Enrico Bucher, mas as negociações que se seguem foram conduzidas de forma inteiramente diferente, com as autoridades impondo a substituição de nomes na lista dos prisioneiros políticos cuja libertação era exigida e, praticamente, controlando os rumos da negociação. Em janeiro de 1971 o embaixador foi libertado em troca do envio de 70 prisioneiros para o Chile, mas a VPR saiu da operação com um desgaste que teria desdobramentos vitais nos tempos seguintes. As tensões internas que se seguiram, numa organização já tremendamente debilitada por sucessivos fluxos de prisão de militantes que não eram repostos, culminaram com saída do próprio Lamarca, seguido por um grupo que se ligou ao MR-8. O pequeno grupo remanescente permaneceu atuando na “Frente Armada”, integrada pela VPR desde 1970, na rotina do circulo vicioso já referido, de operações armadas para sobrevivência do aparelho da organização.

 

 

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