Antiga sede do Conselho Federal da OAB

Cópia 5 de imgresRua Marechal Câmara, 240, Centro

A antiga sede do Conselho Federal da OAB, onde hoje funciona a CAARJ e a CEV-Rio, é o local relacionado ao atentado à bomba, cometido por militares radicais e anti-democráticos (conhecidos pelos nomes de Grupo Secreto ou “linha dura”), que causou a morte da funcionária Lyda Monteiro da Silva.

Filtro: Atentados

`Acesse o conteúdo completo em PDF

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) é a entidade máxima de representação dos advogados no Brasil, além de regular a atuação da classe no país. Instituição tradicional e respeitada, sempre foi uma força poderosa e influente em assuntos políticos. Durante a abertura política, portanto ainda no período ditatorial, a entidade estava engajada na denúncia de crimes da ditadura e no processo de transição para a democracia. Nesta época, o Conselho Federal da Ordem funcionava na Rua Marechal Câmara, 210, prédio em que hoje se localizam a Caixa de Assistência ao Advogado do Rio de Janeiro (CAARJ) e a Comissão Estadual da Verdade do Rio (CEV-Rio).

No dia 27 de agosto de 1980, Lyda Monteiro da Silva, secretária do então presidente da OAB, Eduardo Seabra Fagundes, morreu em decorrência da explosão de uma carta bomba. A secretária, de 59 anos, estava na sede do Conselho Federal da Ordem quando abriu a carta endereçada ao presidente. Dona Lyda, como era conhecida, faleceu no caminho para o hospital Souza Aguiar.

Seu filho, Luiz Felippe Monteiro, hoje advogado, recebeu a notícia enquanto assistia a uma aula na universidade e não conseguiu chegar a tempo no hospital. A primeira resposta de Eduardo Seabra Fagundes foi a criação, ainda no dia 27, da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal da OAB. E o dia 28 de agosto foi decretado dia nacional de luto dos advogados. O velório e o enterro de Lyda Monteiro reuniram milhares de pessoas, inclusive influentes personalidades da época. Acabaram se transformando, dessa forma, em um ato político de repúdio ao atentado e à ditadura.

O atentado ocorreu no contexto da abertura política do país e não foi um fato isolado. No mesmo dia, a Câmara dos Vereadores e o jornal “Tribuna da Luta Operária” foram alvos de atentados à bomba, deixando mais seis pessoas feridas. Esse tipo de ação já vinha sendo praticada há alguns anos por setores interessados em impedir a transição da ditadura para a democracia.

À época, a Polícia Federal instalou um inquérito para investigar a autoria do atentado. O ex-agente do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR), Ronald Watters, foi apontado como culpado e preso sete semanas depois da explosão. Em 1983, porém, foi absolvido por falta de provas. Sua responsabilização acobertou militares da linha dura ligados a grupos de extrema-direita, que praticavam os atentados a fim de desestabilizar a abertura política em curso e forçar o endurecimento do regime.

Mais de três décadas depois do atentado, a Comissão Nacional da Verdade e a Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro voltaram a realizar investigações sobre o caso, a fim de salaexplodidareunir material suficiente para que o Ministério Público Federal tenha condições de reabrir as investigações e apontar os verdadeiros responsáveis pela ação.

A mesa que Dona Lyda ocupava quando houve a explosão da carta-bomba hoje está no Museu do Conselho Federal da OAB, em Brasília. Além disso, a sala do presidente da CEV-Rio é hoje, simbolicamente, a mesma em que Dona Lyda trabalhava e onde estava quando abriu a carta. Há, no prédio, duas placas para Dona Lyda, como forma de prestar homenagens e manter viva a memória de mais essa vítima da ditadura militar.

 

Matéria do Jornal Nacional no dia seguinte ao atentado à OAB

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*